Comunidade Imaculada Conceição – Sua História

A história da Comunidade Imaculada Conceição foi recheada de conflitos surgidos no seio do Condomínio Residencial Parque dos Eucaliptos, reflexo da crise econômica a partir dos anos 80.

De um modo geral, o condomínio era habitado, inicialmente, por jovens famílias, que usavam a moradia como “dormitórios”, sendo que no final de semana e feriados prolongados o local ficava deserto.

A partir da religiosidade popular é que uma comunidade surge, portanto, por um grupo de pessoas basicamente constituído por senhoras da caminhada da Igreja, que promoviam a reza do terço e novenas nos apartamentos, até que a necessidade faz surgir a figura do catequista e a busca de um local para os encontros.

O condomínio possuía amplo salão, parte do centro social e salas que deveriam, originalmente, serem usados como escola.

A comunidade incipiente trabalhava muito no sentido de sensibilizar os moradores e, assim, aumentar o número de participantes, mas poucos pareciam interessados. Apesar disso, a perseverança de um pequeno grupo já justificava o convite para que o padre celebrasse uma missa.

Na Páscoa de 1982, o padre Walfrides Praxedes celebrou uma missa no salão social com a presença de um bom número de pessoas, e pode-se dizer que é desta data que a comunidade do parque dos eucaliptos passa a fazer parte da caminhada da Igreja em Campinas.

Nessa época, as Comunidades Eclesiais de Base (CEB’s) estavam em franco desenvolvimento na cidade, principalmente na região pastoral de Campos Elíseos, que estava inserida às comunidades da Vila Castelo Branco, do Jardim Londres, Jardim Garcia e da Vila Pe. Manoel da Nóbrega e, agora, do Parque dos Eucaliptos, também passou a fazer parte e formar o setor Santo Dias da Silva, coordenado pelo padre Praxedes. Mas esse modo diferente de ser Igreja, que reza sem padre, que se envolve em questões sociais, discute política, soava estranho na mente dos fiéis e provocava rejeições nas pessoas.

A grande ameaça que a comunidade apresentava para a administração do condomínio era a capacidade de mobilização, que se não grande, mas o suficiente para interferir na contagem de votos em uma decisão nas assembleias de moradores.

Em 21 de junho de 1984, foi convocada uma assembleia geral extraordinária, com publicação do Diário do Povo, e para a surpresa de todos, constava no item dois a “aprovação dos estatutos e da diretoria da comunidade religiosa do condomínio”, que foi, na época, entregue um exemplar do Terceiro Plano da Arquidiocese de Campinas.

Sendo um condomínio, não é difícil de entender que pessoas de outras igrejas juntassem forças contrárias à comunidade. Reclamavam de exclusividade, e respondíamos com o direito de igualdade, desde que elaborassem um calendário comum de eventos, e também se ouvia indagações e estranheza sobre a existência de uma igreja dentro do condomínio, se a trinta metros dali foi construída a igreja da comunidade Maria Mãe do Povo, no Nóbrega.

A partir de 1986, a comunidade passou a incentivar seus membros a participar das vagas do conselho de moradores. Daí em diante, trouxe uma certa tranquilidade.

Dona Natalia Gonçalves, membro da comunidade, teve, um dia, um sonho no qual um Santo aparecia mostrando que na casinha onde ficava o plantão de vendas seria construída uma igreja. Segundo ela, o santo era São Camilo de Lélis.

O plantão de vendas, construído para escritório e vendas dos apartamentos, era uma sala de 40 metros quadrados, uma construção provisória e frágil. Apesar das rachaduras, e sem forro, as dificuldades para se reunir ou realizar celebrações devia-se ao controle das chaves.

Não era possível agendar compromissos, sendo que para usar o salão social tinha que ser requisitado e também se pagar uma taxa de uso. Cada vez mais se fazia necessário lutar pela sala do plantão de vendas. Só que o local era um depósito de materiais de construção e ferramentas, que não podiam ser transferidos. No final de 1983, o conselho de moradores decide impedir que a comunidade utilize o plantão de vendas, alegando que o condomínio precisaria do espaço.

Este fato forçou a comunidade a elaborar um documento relatando as ocorrências e algumas reivindicações, levado em assembleia, o qual foi aprovado na íntegra.

Mas em 1984 houve novo embate. Anunciaram que seria construído e instalado no local um posto policial, o qual a comunidade se recusava a ceder. Depois de muitos debates, em 1986, oficializou-se o plantão de vendas como sede da comunidade.

A partir de então, começaram os trabalhos pastorais, como batismo, catequese, sendo que muitos encontros eram realizados nos apartamentos, em família. Também foram realizadas atividades como gincanas entre as crianças, em que acabavam os pais participando também; passeios culturais e encenações teatrais ligados a tempos litúrgicos. Um acontecimento que merece atenção foi a festa junina realizada do lado de fora do condomínio, a qual trouxe muitas pessoas e o lucro foi utilizado para trabalhos pastorais e, principalmente, reformas no salão.

Em 1993 foi instituída a paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, que englobava as comunidades do Parque dos Eucaliptos, Jardim Garcia, Vila Padre Manoel da Nóbrega e Vila Castelo Branco.

Por ocasião da revisão ampla, em 1990, instituída pela Arquidiocese, foi elaborado um festival para escolher o hino da revisão. A Música “Deus da Vida” foi elaborada e defendida por integrantes da comunidade, que causou grande empolgação e imediatamente foram adotados o nome e o hino para comunidade.

Foram outras conquistas, como conseguir ficar também com o uso do salão de vendas e de outra sala que tinha o Almoxarifado do condomínio. O espaço ficou maior. Com dinheiro das festas juninas foram feitas melhorias em esquema de mutirão, nos finais de semana, pelas agentes da comunidade. A capela ficou com uma sala onde funcionavam catequese e reuniões, uma sala menor, depósito, dois banheiros e uma cozinha pequena.

Todo ano rezamos um terço para os santos juninos e levantamos um mastro em honra aos santos. E este evento foi muito importante na vida da comunidade até hoje, pois é o seu símbolo de fé do povo de Deus. O mastro permaneceu firme, com todas as obras que foram feitas.

Em 2012, recebemos a notícia de que a construção da capela estaria invadindo “um pedaço” da rua Pelicano e que precisaria ser derrubada, por ocasião do surgimento do novo bairro Ibirapuera, e a rua precisaria ser aberta.

Nesta época, o Padre Carlos José Nascimento já era pároco do Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe e foi por ele, membros da comunidade, amigos, que começaram as negociações com a construtora sobre o destino da comunidade.

Por fim, o engenheiro João Bittar se comprometeu a derrubar e construir uma nova capela, doando inclusive toda a mão de obra e materiais, até o acabamento, como pisos, peças de banheiro e cozinha.

Começaram as construções em dezembro de 2012, e a comunidade Imaculada foi fazer suas missas e atividades na comunidade Perpétuo Socorro, que nos acolheu com amor de irmãos em Cristo.

Um fato interessante: foram removidas as terras, bateram estacas, chuva, e o nosso mastro não caiu, ficou em pé o tempo todo, sendo o nosso sinal de fé.

Mesmo assim, foi embargada, atrasando, mas com a graça de Deus conseguiu terminar.

Em 22 de março de 2014, retornamos à nossa capela, onde foi realizada a primeira missa de reinauguração, depois de ter sido demolida e reerguida novamente. Foram muitos os obstáculos, mas todos foram vencidos com muitas orações. Agradecemos ao Padre Carlos, por mais esta vitória que conquistou com a ajuda dos membros desta comunidade. Tenho certeza de que você jamais será esquecido por nós! Que Nossa Senhora da Imaculada Conceição proteja sua vida e interceda sempre junto ao Pai em todas as suas necessidades.