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Artigos › 11/12/2018

Ética cristã e clonagem humana

Por estes dias nos foi noticiado a clonagem ou modificação genética aplicada a seres humanos por cientistas chineses. Isto é assustador. Enquanto não se decide proibir ou não a clonagem de seres humanos, os cientistas aceleram seus experimentos.

Já se conseguiu criar embriões humanos em laboratório a partir de células humanas, estes embriões serviriam como material biológico para curar doenças. Assim, manipula-se o feto, fruto da clonagem, com fins terapêuticos.

A comunidade científica se divide: parte dos cientistas e profissionais da saúde acham que a clonagem de células humanas não deve e nem pode ser proibida. Isto retardaria os avanços inevitáveis da ciência, embora reconheçam que deva haver leis que esclareçam o que pode e o que não se pode fazer.

Outros cientistas já se posicionam taxativamente contra. A clonagem ainda é uma tecnologia desconhecida. Não pode ser aplicada a seres humanos por razões de segurança. Outros ainda são contra por motivos éticos, achando que a clonagem humana não deve ser admitida em hipótese alguma.

A Igreja Católica não aceita a clonagem humana de nenhum modo. Julga imoral a produção de embriões humanos destinados a ser material biológico disponível e descartável. Nesta sua posição, a Igreja não se coloca como dona, mas como guardiã da verdade e profeta da defesa da vida. Além do que, a Igreja não está sozinha nesta sua postura, mas faz coro com muitos cientistas, estadistas e pessoas de boa vontade, as quais são da opinião de que a ética impõe limites à ciência.

Nem tudo é permitido à pesquisa científica. Há limites para a liberdade, e em nenhum setor da vida e do agir humano se pode dispensar a ética. O humano não pode ser “coisificado” em nome da ciência.

Não há dúvida para a ciência que a partir do momento que um óvulo é fecundado, inaugura-se uma nova vida humana, um novo ser humano. O embrião humano tem todos os direitos de vida humana e deve ser respeitado: não pode ser manipulado ou eliminado. O mistério que cerca o surgimento da vida não se reduz a uma realidade biológica, é um evento biológico, psíquico e espiritual. Acontecimento sagrado, toca o próprio poder criador de Deus.

Enfim, o fim não justifica os meios, a Igreja entende que a ciência e a técnica não são valores absolutos, estão a serviço da pessoa humana, subordinados aos direitos inalienáveis do ser humano. Mesmo que seja uma vida tênue, de apenas poucas células, a vida do embrião que se forma é humana e merece respeito não podendo ser discriminada. Como aceitar a discriminação de uma vida humana indefesa que se inicia, justificando que a sua eliminação vai favorecer um adulto? É evidente que esta posição da Igreja, ditada pela ética cristã se choca com muitas opiniões contrárias.

Outros argumentam que não adiantam as advertências, pois não há exemplo na história de suspensão, por motivos morais ou religiosos, da prática de um caminho científico aberto, mesmo que saibam que implique perversão. No entanto, já existem leis que servem de advertência. O Parlamento Europeu aprovou a resolução B5 710/2000 sobre a clonagem de seres humanos, reconhecendo “a plena humanidade do embrião e a rejeição de toda a ação que não visa o bem estar e o direito do mesmo”. A clonagem humana no Brasil é proibida pela lei 8.974 de janeiro de 1995, Lei de Biossegurança. O tema está em discussão nos Parlamentos de vários países.

Por isso é aconselhável ao homem, não colocar-se no lugar de Deus ao tentar manipular a vida humana. A vida é uma criação, não um bem de mercado.

Por Dom Pedro Carlos Cipollini, Bispo Diocesano de Santo André

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