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Notícias › 08/01/2019

Líbia: encontrados restos mortais de 34 cristãos etíopes mortos pelo EI

A vala comum, segundo referido nos últimos dias pelo departamento de investigação criminal do Ministério do Interior, foi localizada em uma área não muito distante da cidade costeira de Sirte, em uma área que em 2015 estava sob o controle de grupos jihadistas armados.

As autoridades líbias – referem fontes oficiais nacionais – informaram que os restos mortais dos cristãos mortos pelo Daesh serão repatriados para a Etiópia, uma vez cumpridos os procedimentos legais nacionais e internacionais necessários.

Em abril de 2015, um vídeo divulgado pela Furqan Media – na época considerada como uma rede de mídia de referência do Estado Islâmico – havia mostrado dois diferentes grupos de prisioneiros, apresentados como cristãos etíopes, enquanto eram decapitados e mortos e com tiros na nuca em uma praia deserta da Líbia.

O vídeo, acompanhado pelos habituais slogans contra a “nação da cruz” e com imagens de igrejas destruídas, ícones e túmulos cristãos, repetia que nas terras controladas pelo Estado Islâmico não haveria salvação para os cristãos que não se convertessem ao Islã ou não concordassem em pagar a “taxa de proteção”. No vídeo – detalhe eloquente – as vítimas eram apresentadas como pertencentes à “hostil Igreja Etíope”.

Os cristãos massacrados eram pobres imigrantes etíopes pertencentes às multidões de homens e mulheres que viajaram para a Líbia para tentar encontrar trabalho ou para chegar à Europa, em barcos operados por redes criminosas de traficantes de seres humanos.

A Igreja copta também foi alvo dos massacres e ataques dos jihadistas do Daesh

O Igreja Ortodoxa etíope Tewahedo esteve juridicamente ligada ao Patriarcado Copta de Alexandria até 1959, ano em que foi reconhecida como Igreja autocéfala pelo patriarca copta Cirilo VI.

Nos últimos anos, também ela foi alvo dos massacres e atentados dos jihadistas do Daesh, que a atacaram porque a consideravam como entidade eclesial próxima às instituições políticas do Egito lideradas pelo presidente Abdel Fattah Sisi.

Entre janeiro e fevereiro de 2015, poucos meses antes do massacre de cristãos etíopes, 20 cristãos coptas egípcios e um seu companheiro de trabalho ganês, haviam sido assassinados por jihadistas em uma praia da Líbia perto de Sirte.

“Impressiona” – havia dito após a tragédia Anba Antonios Aziz Mina, bispo copta católico – hoje emérito – de Gizé, “que a Igreja etíope seja definida como ‘Igreja hostil’ … obviamente estes jihadistas também acompanham as implicações políticas dos encontros entre as Igrejas. Mas com grande dor” – acrescentava na ocasião à Agência Fides” – continuamos a olhar para esses eventos com o olhar da fé. A fila dos mártires ainda não terminou e acompanhará toda a história, até o fim. Os cristãos não buscam o martírio, querem viver em paz e na alegria. Mas se o martírio vem, é um conforto ver quem pode ser aceito com a mesma paz com que aceitaram os coptas mortos na Líbia, que pronunciaram o nome de Cristo e a Ele se entregavam enquanto eram decapitados. A Igreja nunca se lamentou do martírio, mas sempre celebrou os mártires como aqueles em quem, precisamente quando são mortos, resplandece a vitória de Cristo”.

Um museu-santuário na catedral de Al-Our dedicado aos “Mártires da Líbia”

Também os restos mortais dos egípcios coptas decapitados na Líbia, juntamente com seu colega de trabalho ganês, foram identificados no final de setembro de 2017 em uma vala comum na costa da Líbia, não muito distante da cidade de Sirte. Seus corpos foram encontrados com as mãos amarradas nas costas, vestidos com o mesmo macacão laranja que os carrascos jihadistas faziam suas vítimas usar em suas performances macabras, sempre filmadas e divulgadas pela internet.

Hoje, um museu-santuário na Catedral dedicada aos “Mártires da Líbia” e erigido no povoado egípcio de Al-Our, região de Samalut, guarda como relíquias também as moedas encontradas nos bolsos dos corpos dos egípcios martirizados e seus sapatos, junto a alguns documentos de identidade e registros de trabalho onde dois deles marcavam as atividades de trabalho do dia-a-dia.

Por Agência Fides, via Vatican News

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