Mensagem do Reitor › 29/06/2017

A PALAVRA DO PADRE MOTOLINIA

Gostaria de descrever a palavra do Padre Motolinia quando junto com todo o povo. O bispo, os indígenas e o povo da cidade viram pela
primeira vez o manto de Guadalupe, que foi levado em procissão e apresentado na porta da catedral: “Amados! Não lestes na Sagrada Escritura: ‘Quero misericórdia e não sacrifício’? Sim, foi com amor e não com sacrifício que Deus criou o mundo e foi a misericórdia e não o sacrifício que resgatou o mundo extraviado pelos caminhos do mal. Aqui está a Mãe no meio de sua família, ela olha com amor e misericórdia
para todos.

Com o coração compassivo quer dar o seu Filho Jesus a todos, para que ninguém se perca! Ela não pediu sacrifício algum, nem para satisfazer o Sol e nem garantir a criação, como fizeram os senhores astecas. Nem para satisfazer com ouro e com terras os que matam e
espoliam os filhos de Deus, com guerras, trabalhos e opressões [referindo-se às autoridades espanholas]. Portanto, basta de sacrifícios! Basta de mortes, de violências e de maus tratos.

A Senhora é o ‘Novo Sol’ que só pede misericórdia em troca da Divina Misericórdia. Ela é a ‘águia que sobe’ inflamada de amor e bondade, para acender a chama da liberdade e espalhar a sua luz misericordiosa por toda a Terra. Ela é
o ‘tigre’ que ronda pela noite, não como se estivesse de tocaia para agarrar a sua presa, mas como a mãe zelosa que, caminhando pela noite, quer salvar com toda energia e ternura os seus pobres filhos sem defesa.
Ela ama as flores, a beleza das cores e dos perfumes, que trazem alegria e enfeitam a casa dos pobres, onde ela é a Rainha. É a Mãe de todos, para que todos sejam seus filhos e suas filhas. Não ama o poder e nem o ouro, que estimula o domínio de um sobre os outros com cobiça e violência.  Ela está em nosso meio para que nos lembremos de que somos irmãos e de que Deus continua, por meio dela, a derrubar os poderosos de seus tronos e a exaltar os humildes. Ela confunde o raciocínio dos sábios e permite que só os simples saibam compreendê-La. Porque ela é a perfeita Virgem Santa Maria ‘Cuauhtlapcupeuh’, que significa aquela que vem voando da região da luz e da música, entoando um canto, como a águia de fogo, o Sol! Mãe Índia! Indiazinha nossa Mãe!”.

A multidão prorrompeu em aplausos, acenos e gritos de “Nossa Mãe Índia”. Padre Motolinia tinha terminado as suas palavras e ele mesmo, muito comovido, sentiu as lágrimas inundarem os seus olhos. Girou lentamente e fixou o olhar na Virgem gravada no estandarte.

VISITAÇÃO DA IMAGEM

Todos queriam chegar mais perto e admirar a imagem da Santa Mãe. Por isso, com esforço organizaram uma fila, permitindo que cada um ficasse no máximo dois minutos diante da imagem, contemplando aquela face de índia mestiça, seu lindo manto de mulher que mal escondia os seus longos cabelos negros e lisos, como os das jovens indiazinhas. O manto era azul e verde-turquesa, as cores do início da criação do Céu e das pedras preciosas que existem sobre a Terra, as cores do universo!

O seu vestido era vermelho-róseo, florido, como de uma mãe de família, discreta, caprichosa e digna. O seu olhar pousava sobre quem se colocasse debaixo de sua sombra, revelando autoridade e compaixão. O Sol lhe dava uma aura de luz, o seu manto estava repleto de estrelas e a Lua aos seus pés, com o valoroso índio guerreiro em asas de águia sob sua proteção: isso significava a união de todos os povos da Terra, de
todas as histórias, de todas as esperanças e o fim das guerras. Ela anunciava a união da família e a paz, num mundo reconciliado!

Pe. Carlos Nascimento

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *