Santuário Nossa Senhora do Guadalupe

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Mensagem do Reitor › 08/11/2017

Dia de finados

Os primeiros vestígios de uma comemoração coletiva de todos os fiéis defuntos são encontrados em Sevilha (Espanha), no século VII, e em Fulda (Alemanha) no século IX.

O fundador da festa foi Santo Odilon, abade de Cluny, o qual a introduziu em todos os mosteiros de sua jurisdição entre os anos 1000 e 1009. Na Itália, em geral, a celebração já era encontrada no fim do século XII e, mais precisamente em Roma, no início do ano 1300. Foi escolhido o dia 2 de novembro para ficar perto da Comemoração de Todos os Santos.

No século XV, muitos sacerdotes começaram a celebrar três Missas nesse dia e tal costume tornou-se uma prática habitual da Igreja, de modo que, em 1920, o Papa Bento XV (1914-1922) permitiu que todos os sacerdotes celebrassem oficialmente três Missas no Dia de Fiéis Defuntos (Dia de Finados), 2 de novembro, sendo uma por uma intenção especial do celebrante, a segunda por todas as almas do Purgatório e a terceira pelas intenções do Papa.
As razões de muitas orações pelos defuntos começaram por uma superstição popular muito antiga, segundo a qual as pessoas pensavam que as almas do outro mundo andavam por aqui a penar e apareciam a elas. A Igreja procurou esclarecer devidamente os fiéis à luz da doutrina teológica apontando para a parábola do Evangelho do rico avarento e do pobre Lázaro, segundo a qual “Entre nós e vós foi estabelecido um grande abismo (…) têm Moisés e os profetas; que os ouçam (… ). Se não dão ouvidos a Moisés e aos profetas, tampouco se deixarão convencer se alguém ressuscitar de entre os mortos” (Lc16,26-31).

Nos ritos fúnebres por seus filhos, celebra a Igreja com fé o Mistério Pascal, na firme esperança de que os que se tornaram, pelo Batismo, membros de Cristo morto e ressuscitado, passem com Ele através da morte à vida. É necessário, porém, que a sua alma seja purificada antes de ser recebida no Céu com os santos e os eleitos, enquanto o corpo espera a bem-aventurada vinda de Cristo e a ressurreição final.

As penas temporais, bem como a pena eterna devida ao pecado e o seu respectivo perdão, estão esclarecidas no Catecismo da Igreja Católica:

“1472. – Para compreender esta doutrina e esta prática da Igreja, deve ter-se presente que o pecado tem dupla consequência. O pecado grave priva-nos da comunhão com Deus e, portanto, torna-nos incapazes da vida eterna, cuja privação se chama ‘pena eterna’ do pecado. Por outro lado, todo pecado, mesmo venial, traz consigo um apego desordenado às criaturas, o qual tem de ser purificado, quer nesta vida, quer depois da morte, no estado que se chama Purgatório. Essa purificação liberta do que se chama a ‘pena temporal’ do pecado. As duas penas não devem ser consideradas como uma espécie de vingança, infligida por Deus, do exterior, mas como algo decorrente da própria natureza do pecado. Uma conversão procedente do fervor da caridade pode chegar à total purificação do pecador, de modo que nenhuma pena subsista.

1473. – O perdão do pecado e o restabelecimento da comunhão com Deus trazem consigo a abolição das penas eternas do pecado. Mas, subsistem as penas temporais. O cristão deve esforçar-se por aceitar como uma graça essas penas temporais do pecado, suportando pacientemente os sofrimentos e as provações de toda a espécie e, chegada a hora, enfrentando serenamente a morte; deve esforçar-se por meio de obras de misericórdia e de caridade, bem como pela oração e pelas diferentes práticas da penitência, e despojar-se completamente do ‘homem velho’ e revestir-se do ‘homem novo’”.

De fato, subsiste no homem, mesmo quando morre em estado de graça, muita imperfeição. Para essa imperfeição existe, portanto, o Purgatório, lugar de purificação.

É um costume muito popular e muito antigo, no Dia de Finados, a começar já na véspera, fazerem-se visitas aos cemitérios, numa recordação mais presencial das almas cujos corpos ali foram sepultados.

Nossa Senhora de Guadalupe, velai sobre todos os falecidos, intercedei por nós!

Pe. Carlos Nascimento
Reitor do Santuário Nossa Senhora
de Guadalupe – Campinas, SP

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