Mensagem do Reitor › 04/09/2017

História mais antiga de Guadalupe

O relato mais antigo sobre as aparições da Virgem Maria ao índio Juan Diego, no Cerro de Tepeyac, é o chamado Nican Mopohua, escrito em língua náhuatl nos meados do século XVI. O autor, contemporâneo dos acontecimentos, reproduz os diálogos coloquiais típicos, repetidos e carinhosos, que Nossa Senhora manteve com o vidente. É a conversa confiante de um homem simples com a sua mãe.

E aconteceu, lê-se no Nican Mopohua, que havia um índio, um pobre homem do povo, de nome Juan Diego, segundo se diz natural de Cuuahtitlán. Num sábado, de manhã cedo, dirigia-se à Cidade do México para ir ao catecismo. Quando passava junto a um pequeno cerro chamado Tepeyac ouviu um cantar no alto dele, como se fosse o canto maravilhoso de muitos pássaros. Encantado, aquele homem pensou que estava no paraíso.

Quando o canto acabou de repente, quando se fez silêncio, ouviu que o chamavam de cima do pequeno cerro, dizendo: “Juanito, Juan Dieguito”. Muito contente, dirigiu-se ao lugar de onde vinha aquela voz e viu uma nobre senhora que ali estava em pé e que o chamava para se aproximar dela. Ao chegar a sua presença, ficou encantado com a sua nobreza sobre-humana: as suas vestes eram radiantes como o sol e a pedra, a falésia onde estava de pé, lançava raios resplandecentes.

Depois, a Virgem comunicou a Juan Diego qual era a sua vontade: “Sabe e compreende bem, tu, o menor dos meus filhos, que eu sou a sempre Virgem Santa Maria, mãe do verdadeiro Deus,
razão do nosso viver; do Criador dos Homens, do que está próximo e perto, o Dono do Céu, o Senhor do Mundo. Desejo vivamente que me ergam aqui um templo para nele mostrar e dar todo o
meu amor, compaixão, auxílio e amparo, porque na verdade eu sou a vossa mãe bondosa, tua e de todos vós que viveis unidos nesta terra e dos outros povos; que me amem, que me invoquem, que
me procurem e confiem em mim, aí escutarei o seu pranto, as suas tristezas, para remediar e curar todas as suas penas, misérias e dores”.

Juan Diego viveu até aos 74 anos, depois de ter morado durante cerca de três lustros junto à primeira ermida construída para prestar culto a Santa Maria de Guadalupe. Faleceu em 1548, tal como o bispo Frei Juan de Zumárraga. A sua canonização ocorreu em 31 de julho de 2002. Em pouco tempo, a devoção à Virgem de Guadalupe propagou-se de forma prodigiosa. A sua solidez entre o povo mexicano é um fenômeno que não tem comparação fácil; a sua imagem pode ver-se em toda a parte e contam-se por milhões os peregrinos que acorrem com uma fé maravilhosa a colocar as suas intenções aos pés da imagem milagrosa na Villa de Guadalupe no México.

Em toda a América e em muitas outras nações do mundo se invoca com fervor aquela que, por singular privilégio, em nenhum outro caso outorgado, deixou o seu retrato como prova do seu amor. Peçamos que a Virgem de Guadalupe continue guardando cada um de nós debaixo de seu manto e sob o seu olhar.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *