Mensagem do Reitor › 07/06/2018

O Domínio do Relativismo

O Papa Bento XVI falou insistentemente do perigo da “ditadura” do relativismo, que vai oprimindo quem não a aceita. Quem não estiver dentro do “politicamente correto” é anulado, desprezado, zombado com cinismo. Sobre essa mesma ditadura, o Sumo Pontífice falou, em 18 de abril de 2005, na homilia da Santa Missa preparatória do Conclave que o elegeu: “Não vos deixeis sacudir por qualquer vento de doutrina” (Ef 4, 14).

O relativismo atual coloca a ciência ciência como uma deusa que vai resolver todos os problemas do homem, a qual está acima da moral e da religião. Mas se esquece de dizer que o homem nunca foi tão infeliz como hoje; nunca houve tantos suicídios, nunca se usou tanto antidepressivo e tantos remédios para os nervos; nunca se viu tanta decadência moral (aborto, prostituição, pornografia…), destruição da família e da sociedade.

O relativismo é embalado também pelo ceticismo e pelo utilitarismo, os quais só aceitam o que pode ajudar a viver num bem-estar hedonista, aqui e agora. Há uma verdadeira aversão ao sacrifício e à renúncia.

No centro dessa crise moral, São João Paulo II, revela qual é a sua causa: “O homem quer ocupar o lugar de Deus”. A Revelação ensina que não pertence ao homem o poder de decidir o bem e o mal, mas somente a Deus (cf. Gn 2,16-17). Não é lícito que cada cristão queira fazer a fé e a moral segundo “o seu próprio juízo” do bem e do mal.

Esse mesmo relativismo é a razão que move os contestadores do Papa, do Vaticano, dos bispos e da hierarquia da Igreja, como se estes tivessem usurpado o poder sagrado e não o recebido do próprio Cristo pelo sacramento da Ordem.

Por causa do relativismo moral, os governantes propõem leis contra a lei natural que Deus colocou no coração de todos os homens. Dessa forma, a palavra do legislador humano vai superando a do Legislador Divino, a qual é a mesma para todos os homens.

A desconstrução do relativismo é pior do que a destruição, já que é movida por argumentos, mesmo que falaciosos, e pelo desenvolvimento de raciocínios e objeções que procuram não só retirar a primorosa ortodoxia reinante, mas fazer com que a grande comunidade de fiéis adote, mesmo que inconscientemente, esses discursos que valorizam a mentira e desconsideram a Verdade.

Pe. Carlos José Nascimento

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