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Mensagem do Reitor › 31/08/2018

Por que a Bíblia católica é diferente da protestante?

A Bíblia protestante tem apenas 66 livros, porque Lutero e, principalmente, seus seguidores rejeitaram os livros de Tobias, Judite, Sabedoria, Baruc, Eclesiástico (ou Sirácida), 1 e 2 Macabeus, além de Ester 10,4-16 e Daniel 3,24-20; 13-14.

A razão disso vem de longe. No ano 100 da era cristã, os rabinos judeus se reuniram no Sínodo de Jâmnia (ou Jabnes), no sul da Palestina, a fim de definir a Bíblia judaica, isso porque, nessa época, começava a surgir o Novo Testamento, com os Evangelhos e as cartas dos apóstolos, que os judeus não aceitaram.

Nesse sínodo, os rabinos definiram critérios para aceitar que um livro fizesse parte da Bíblia:
1 – Deveria ter sido escrito na Terra Santa;
2 – Deveria ter sido escrito somente em hebraico, nem em aramaico nem em grego;
3 – Deveria ter sido escrito antes de Esdras (455-428 a.C.);
4 – Sem contradição com a Torá ou a lei de Moisés.

Esses critérios eram puramente nacionalistas, mais do que religiosos, fruto do retorno do exílio da Babilônia, em 537 a.C. Por esses critérios, não foram aceitos na Bíblia judaica da Palestina os livros que, hoje, não constam na Bíblia protestante, citados anteriormente. A Igreja Católica, no entanto, desde os apóstolos usou a Bíblia completa.

Nos séculos II a IV, houve dúvidas na Igreja sobre os sete livros por causa da dificuldade do diálogo com os judeus, mas, a Igreja ficou com a Bíblia completa, a Versão dos Setenta, incluindo os sete livros. Após a Reforma Protestante, Lutero e seus seguidores rejeitaram os sete livros já citados.

É importante saber também que muitos outros livros, que todos os cristãos têm como canônicos, não são citados nem mesmo implicitamente no Novo Testamento. Por exemplo: Eclesiastes, Ester, Cântico dos Cânticos, Esdras, Neemias, Abdias, Naum, Rute.

Outro fato importantíssimo é que, nos mais antigos escritos dos papas da Igreja (patrística), os livros rejeitados pelos protestantes (deutero-canônicos) são citados como Sagrada Escritura.

Note que os seguidores de Lutero não acrescentaram nenhum livro na Bíblia, o que mostra que aceitaram o discernimento da Igreja Católica desde o primeiro século ao definir o índice da Bíblia. É interessante notar que o Papa São Dâmaso (366-384), no século IV, pediu a São Jerônimo que fizesse uma revisão das muitas traduções latinas que havia da Bíblia, o que gerava certas confusões entre os cristãos.

São Jerônimo revisou o texto grego do Novo Testamento e traduziu do hebraico o Antigo Testamento, dando origem ao texto latino chamado Vulgata, usado até hoje.

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