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Artigos › 13/08/2020

A hierarquia dos anjos e o modo da adoração no Céu

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“Então, reparei e também ouvi a voz de grande multidão de anjos ao redor do trono, dos seres viventes e dos anciãos, cujo número era de milhares de milhares e de milhões de milhões”. (Ap 5,11)

Desde os tempos antigos, ainda quando o mundo físico não tinha sido criado e nem mesmo ainda o homem do pó da terra tinha sido feito, Deus, em uma explosão de amor, criou os anjos. Seres espirituais, diferentes em natureza dos homens, mas igual em vontade e exercício da própria liberdade, foram chamados de primeiros filhos do Altíssimo. A existência dos anjos faz parte do patrimônio da nossa fé. Os anjos foram criados antes das coisas visíveis, pelo único Deus capaz de chamar à existência todas as coisas. Por isso, ao professarmos o Credo Apostólico declaramos: “Creio em Deus Pai Todo-poderoso, Criador dos Céus e da Terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis”.

Por coisas invisíveis, entendemos toda a realidade espiritual que, por sua vez, se designa à criação dos seres celestiais. Por isso, Deus primeiro criou o Céu e depois a Terra (Gn 1). Ao criar o Céu, Ele criou os anjos; e ao criar a Terra, Ele criou o homem. Sendo assim, desejamos, neste artigo, expor, de maneira resumida, como os anjos estão organizados no Reino dos Céus. Para isso, deveremos buscar, na Tradição da Igreja e na revelação, o que o tesouro da nossa fé nos fala a respeito.

Como os anjos se relacionam com o seu Criador?

Antes de falar da organização dos anjos, temos que, primeiramente, entender que cada coro angélico tem o seu modo de relacionar-se com Deus. E como os anjos se relacionam com o seu Criador? Através da adoração. A adoração é para os anjos o alimento e sustento da vida angélica (Tb 12,19). Logo, ao falarmos dos nove coros das três hierarquias celestes falaremos da adoração que existe no Céu, e pelo qual nós homens somos a síntese.

É isso mesmo, o homem encerra em si mesmo a síntese da adoração de todos os anjos.

O primeiro a individualizar essa realidade angélica foi um monge do antigo oriente cristão (VI séc.) chamado pseudo-Dionísio. Ele dividiu os anjos em sua famosa obra “A Hierarchia Celeste”. Em linha com seu pensamento, teremos o Grande Gregório Magno e o doutor angélico Tomás de Aquino.

Em que forma estão organizados os anjos no céu?

Quando pensamos em hierarquia, não podemos pensar em uma forma triangular, mas na forma circular. Por que isso? Porque todos os anjos estão em volta do trono do cordeiro (Ap.5). Dentro disso, a tradição, a começar com o monge Dionísio, ensina-nos que os anjos estão divididos em três hierarquias e que cada uma delas possui três coros (grupos) de anjos que adoram e se relacionam com Deus em modos diferentes. A divisão é a seguinte:

Primeira Hierarquia

SERAFINS: São os anjos que, possuindo seis asas, adoram a Deus em uma intimidade e profundidade tamanha, que “queimam” de amor na presença do Senhor.

QUERUBINS: Sustentam a glória de Deus e a adoração no Céu.

TRONOS: São habitados pela presença e a glória do Senhor, e a comunicam aos outros anjos.

Segunda Hierarquia

DOMINAÇÕES: Adoram a Deus sendo senhores dos outros anjos. Porém, o senhorio deles não deve ser interpretado como alguém que domina, mas sim como aqueles que servem.

VIRTUDES: São anjos poderosos e fortes. Eles possuem a fortaleza de Deus. Devem ser invocados no tempo da prova e da fraqueza no caminho.

POTESTADES: Os anjos potestades são anjos com autoridade para governar os outros anjos.

Terceira Hierarquia

PRINCIPADOS: Vem de príncipe, que entre os demais possuem a primazia. Esses anjos são responsáveis de países, cidades e nações.

ARCANJOS: São sete que assistem na presença de Deus (Ap 8,2). Esses sete seres são os chefes de todos os outros anjos.

ANJOS: Adoram a Deus servindo diretamente aos homens, criados a imagem e semelhança de Deus.

Assim, concluímos este artigo afirmando que o Céu, povoado por esses nossos irmãos celestes, possui também a sua harmonia, isto é, a sua ordem. Tudo ordenado e cuidadosamente predisposto por Deus. Eles estão ao redor do trono do cordeiro cantando para sempre: Santo, Santo, Santo… (Is 6,1-7).

A mensagem dessa realidade celeste é que os anjos, em suas hierarquias, não estão distantes de nós. Desde o momento em que o Cordeiro de Deus se encarnou, os anjos, que estavam de “costas” para a humanidade, agora nos olham de frente e cantam para nós homens: “Glória a Deus nos mais altos dos céus e paz na terra aos homens que ele ama”. (Lc 2,14)

Tome posse dessa graça. Os anjos de Deus louvam e adoram o Senhor, e citam seu nome em suas orações. Este é a graça de pertencer ao corpo de Cristo, isto é, Sua Igreja.

Referências:

BÍBLIA DE JERUSALÉM, Paulus, São Paulo 2002.
JOÃO PAULO II. Os Anjos: sete catequeses do Santo Padre. São Paulo: Edição da Basílica, 1988.
PSEUDO – DIONÍSIO, Hierarcha celeste, VII.
TOMÁS DE AQUINO, Suma Teológica. São Paulo: Edições Loyola, 2002. v. 2.
BENTO XVI, Homilia por ocasião da ordenação episcopal na festa dos arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael, Setembro 2007.

Por Rafael Brito, via Canção Nova

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