Santuário Nossa Senhora do Guadalupe

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Mensagem do Reitor › 01/04/2020

A FÉ É O ATO MAIS NOBRE DO HOMEM

O Concílio Vaticano I (1870), para dissipar erros do século XIX, definiu a fé nos seguintes termos: “A fé (…) é uma virtude sobrenatural pela qual, prevenidos e auxiliados pela graça de Deus, cremos como verdadeiro o conteúdo da revelação, não em virtude da verdade intrínseca (evidência) das proposições reveladas, vistas à luz natural da razão, mas por causa da autoridade de Deus, que não se pode enganar nem pode enganar a nós” (DS, Enquirídio de definições, 3008 [1789]).

O Concílio Vaticano II, em 1965, também se pronunciou: “Ao Deus que revela, deve-se a obediência da fé, pela qual o homem livremente se entrega todo a Deus, prestando ao Deus revelador um obséquio pleno do intelecto e da vontade e dando voluntário assentimento à revelação feita por Ele” (Constituição Dei Verbum, nº 5).

A fé não é um sentimento cego nem um ato de confiança afetiva em Deus, mas sim uma atitude da inteligência que, movida pela vontade livre, diz “sim” a Deus, que Se revela.

Não se pode crer em qualquer crença “apenas para se ter uma vida espiritual ou uma religião”. Não se pode crer em algo vago, indefinido, sentimental; só se pode crer em algo que a inteligência examinou e aprovou.

Não se pode, portanto, cultivar qualquer anti-intelectualismo diante da fé. A fé é o ato mais nobre do homem, pois aplica a faculdade mais digna do ser humano (a inteligência) ao objeto mais elevado e perfeito, que é Deus.

A fé é um ato da inteligência, mas é também uma atitude da inteligência movida pela vontade. As proposições da fé não podem ser vistas e provadas como as da ciência, mas, pela análise da inteligência, essas proposições podem ser tidas como aceitáveis. Assim, depois de examinadas as propostas da fé, a inteligência pode consentir em crer e passar para a nossa vontade a decisão final: crer ou não crer.

A inteligência pede credenciais para crer e estas se baseiam na autoridade e na credibilidade de quem ou do que transmite a mensagem. Disse São Tomás de Aquino que “o homem não acreditaria se não visse que deve crer” (Suma Teológica, I/II qu.1, art. 4, da 2).

Assim, a fé é um ato livre, um gesto voluntário prestado à autoridade de Deus, que se revela. É um ato mais nobre do que os outros, cujo objeto é tão evidente que se torna obrigatório. O ato de fé supõe reflexão e decisão consciente e responsável.

Pela fé, o homem se entrega todo a Deus.

Jesus exigiu que os judeus do Seu tempo cressem pelas credenciais que Ele apresentou: “Se vos digo a verdade, por que não me credes?” (Jo 7,46); “A fé é a posse antecipada das coisas que esperamos; é a demonstração das coisas que não vemos” (Hb 11,1).

Ter fé é algo raro ou difícil para o ser humano. Na vida cotidiana, todo homem, mesmo o ateu, exercita a fé. Você acredita no médico, no professor que ensina, no padeiro que fez o pão e nele não colocou veneno, etc. Sem esses atos de fé, seria impossível viver.

Quando um homem e uma mulher se casam, cada um crê no outro. Então, se cremos nas pessoas, não é contrário à nossa dignidade acreditar, pela fé, na revelação de Deus em plena adesão do intelecto e da vontade e entrar, assim, em comunhão íntima com Ele.

Quando você ouve uma notícia na TV ou no jornal, você acredita se a fonte lhe inspira confiança. Todo homem crê também nos historiadores que, com seriedade, relatam-lhe o passado.

Segundo o Catecismo da Igreja Católica, “A fé é uma adesão pessoal do homem inteiro a Deus, que Se revela. Ela inclui uma adesão da inteligência e da vontade à revelação que Deus fez de si mesmo por suas ações e palavras” (CIC, § 173).

Crer tem uma dupla referência: a verdade é a pessoa que revela a verdade, por confiança nessa pessoa. Crer é um ato humano, consciente e livre, que corresponde à dignidade da pessoa humana (CIC, § 18-0).

O Catecismo ensina também que crer é um ato eclesial. A fé da Igreja precede, gera, sustenta e alimenta nossa fé. A Igreja é mãe de todos os crentes. “Ninguém pode ter a Deus por Pai que não tenha a Igreja por mãe” (São Cipriano, De unitate).

Essa é a fé católica: “Nós cremos em tudo o que está contido na Palavra de Deus, escrita ou transmitida (tradição apostólica), e que a Igreja propõe a crer como divinamente revelado” (CIC, § 182).

 

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