Santuário Nossa Senhora do Guadalupe

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Mensagem do Reitor › 01/01/2020

AMAZÔNIA/ECOLOGIA

Em 2007, realizou-se no Santuário de Aparecida, Brasil, a V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe sobre o tema “Discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que Nele nossos povos tenham vida”.

O documento conclusivo presidido pelo Cardeal Jorge Mario Bergoglio, SJ. O seu terceiro capítulo ilustra a alegria de ser discípulos missionários que anunciam o Evangelho e, entre as boas novas nascidas da Boa Nova, anuncia “o destino universal dos bens e da ecologia”. Um parágrafo significativo pertence a essa seção.

A criação é também uma manifestação do amor providente de Deus; foi-nos dada para que dela cuidemos e a transformemos numa fonte digna de vida para todos. Embora hoje uma cultura de maior respeito pela natureza tenha se espalhado, percebemos claramente de quantas maneiras o homem ainda ameaça e destrói o seu habitat.

A Terra é como uma irmã, porque nós, criaturas, viemos do único Deus, Pai Todo-Poderoso, Criador do Céu e da Terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis. A criação é um livro aberto que comunica ou revela, à sua maneira, a verdade, a bondade e a beleza de Deus. Contemplando a obra de arte conhecemos um pouco do Artista, o seu Autor (cf. Sb 13,5). O Pobrezinho de Assis dava a todas as criaturas o doce nome de irmãs e as convidava a louvar a Deus.

A Terra é como uma mãe, porque alimenta a nós, seres que nascemos e crescemos neste mundo e, em particular, aqueles que dela germinam. A Terra recebe a luz, o calor e o carinho do irmão Sol, da irmã Lua e do irmão fogo. É fecundada pela irmã água e, por sua vez, fecunda o irmão vento, ar em movimento. A sabedoria da Palavra de Deus e de todos os povos abençoa o Senhor, dizendo-lhes: “Com o fruto das Tuas obras enche a Terra” (Sl 103,13).

A Terra nos precede e nos é confiada. É também como uma filha para o ser humano, que é o único a ter sido criado nela à imagem e semelhança de Deus, a quem o Senhor ama de modo pessoal e a quem entrega a obra das suas mãos (cf. Sl 8,4-7). O irmão mais velho tem a missão de cultivar e conservar a natureza (cf. Gn 2,15), de a cultivar sem a abandonar e de a salvaguardar sem a destruir, como infelizmente acontece hoje nas bacias do Amazonas, do Congo e de muitas outras zonas do habitat natural e humano. Por isso, o Papa recorda a nossa responsabilidade diante de Deus pela Terra: “Isto implica uma relação responsável de reciprocidade entre os seres humanos e a natureza” (Encíclica Laudato si, nº 67).

A Igreja invoca São Francisco de Assis, o irmão universal, para encontrar uma ecologia integral na qual se aprende e se ensina a amar e cuidar da Terra como irmã, mãe e filha. Os povos amazônicos nos ensinam a cultivar essa teia de relações culturais em um momento crítico da história porque, como lemos na introdução do documento sinodal, a destruição do bioma amazônico terá um impacto catastrófico em todo o planeta. Essa é outra lição que nós, não amazônicos, recebemos do sínodo ao celebrarmos a iniciativa do Papa Francisco de colocar essa periferia das periferias no centro da Igreja, porque é sempre no coração de Deus.

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