Santuário Nossa Senhora do Guadalupe

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Mensagem do Reitor › 03/03/2017

O dia da aparição

Uma das coisas mais interessantes de Guadalupe foi o dia de sua aparição, pois era uma terça-feira, 12 de dezembro de 1531, de acordo com o calendário juliano, ou 22 de dezembro, do calendário astronômico que usavam os indígenas. Nesse dia ocorreu a aparição da santa imagem da Virgem de Guadalupe no ayate (espécie de poncho) que usava o índio Juan Diego. Nesse mesmo dia, pela manhã, ocorreu o solstício de
inverno, que para as culturas pré-hispânicas significava que o Sol enfraquecido recobrava o vigor, o retorno da vida.

Conhece-se esse fenômeno pelo nome de solstício (do latim solstitiu), que significa “ponto onde a trajetória do Sol aparenta não se deslocar”. A palavra consiste em sol + sistere, que significa “parado”. No solstício de inverno ocorre o dia mais curto do ano e, consequentemente, a noite mais longa do ano, em termos de iluminação por parte do Sol. A partir daí começa uma mudança no comportamento dos dias, fazendo com que o Sol ganhe uma força descomunal fazendo enfraquecer a Lua e aumentar a força do Sol. É nesse contexto que aparece a Virgem de Guadalupe, carregada de uma vitalidade que o povo ainda não tinha visto. Nesse dia também era muito disseminada a festa da fertilidade, em que muitas mulheres gostariam, e buscavam, ficar grávidas.

Com essa aparição começa a acontecer uma profunda mudança, tanto para cultura hispânica como para a relação que estava acontecendo
entre a forma de tratar os indígenas. Nossa Senhora de Guadalupe mostra que ela plenifica todos os simbolismos desse tempo para colocar para si a nova condução da história desse povo e a nossa. Mostra que em Deus está a verdadeira centralidade da vida; tudo que aconteceu até agora trouxe destruição, morte, sofrimento e dor, mas com a condução dos céus a vida pode se fazer diferente e brotar a esperança almejada.

Na aparição da Virgem de Guadalupe percebemos a mão poderosa de Deus desenhar no manto do índio o mapa do Seu amor constante pela humanidade e por todos os que sofrem. Os símbolos marcam atenção do Altíssimo com a identificação dos sofredores como deixa o seu amor, que é a Virgem Maria, responsável em mediar a partir de agora esse conflito e sofrimento que pareciam sem fim.

Guadalupe reapresenta o verdadeiro sentido com que a vida deve ser conduzida, em que o bem, a verdade e o respeito às culturas devem levar os seres humanos a viver mais próximos uns dos outros, construindo um mundo onde a diversidade não é motivo para a guerra ou a submissão, mas sim mostrar a diversidade que o próprio Deus quis na criação. Diversidade essa que enriquece transforma e valoriza a convivência entre os diferentes, bebendo cada um o que lhe falta, para que na somatória todos ganhem e se enriqueçam mais.

A Virgem de Guadalupe faz lembrar a todos que a fase da escuridão do mundo, em que está presente o inconsciente e o nebuloso, dá lugar ao trunfo da Luz sobre a escuridão, fazendo a vida poder recomeçar com um novo vigor, renascendo. Agora inicia-se o império da Luz sobre tudo e sobre todos.

A aparição de Guadalupe nesse momento lembra a todos que a Virgem não deixa de cuidar com zelo maternal dos seus filhos adotivos, sendo que o próprio Jesus deu sua vida e fez de nós Seus irmãos no Seu mistério de amor pela humanidade.

Nossa Senhora de Guadalupe, venha a certo o sol da minha vida, onde a escuridão não tem nenhum lugar para se alojar. Ilumina a minha vida, com a esperança de sempre poderem recomeçar, sempre nos sentindo seguros debaixo de vosso poderoso olhar, que vasculha e cura cantos escuros que minha vida tem. Senhora de Guadalupe, seja minha luz.

Pe. Carlos Nascimento
Reitor do Santuário Nossa Senhora de Guadalupe – Campinas, SP

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