Santuário Nossa Senhora do Guadalupe

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Mensagem do Reitor › 01/10/2019

ONDE NÃO HÁ HONRA PARA OS IDOSOS, NÃO HÁ FUTURO PARA OS JOVENS

Um olhar retrospectivo do ancião sobre o seu passado tende a ver nele facetas positivas e valores que nos momentos de tribulação passaram despercebidos. A Providência Divina, que escreve direito por linhas tortas, aparece mais nitidamente como a artesã que sabe tirar dos males maiores bens. Em suma, uma visão global e desapaixonada dos acontecimentos permite conceber otimismo em relação aos anos de velhice: embora o ancião sinta as forças diminuírem e as moléstias a acometê-lo, ele guarda a paz; tem a convicção de que, afinal, tudo o que o acomete vem a ser um caminhar para Deus, somente o pecado é incompatível com esse direcionamento. Uma paciência cheia de confiança e esperança dá estrutura a tal fase da vida.

A idade anciã, além disso, ajuda o homem a distinguir melhor o essencial e o acidental na vida; o olhar se purifica, os horizontes se clareiam e a pessoa percebe melhor o que merece empenho e o que não vale a pena. Muita coisa que outrora parecia importante e “empolgava”, aparece como secundária. Pode-se dizer que, então, a pessoa cresce em sabedoria, ou seja, na intuição do mundo como Deus o vê. A eternidade penetra mais desembaraçadamente o presente do homem e projeta luz sobre a existência terrestre.

A perspectiva de envelhecer assusta muitas pessoas e suscita nelas a rejeição da sua idade. Querem, então, passar por indivíduos menos idosos, tomando atitudes artificiais ou anacrônicas no vestir-se, no linguajar, ao frequentar certos ambientes. Isso redunda não raro em cenas ridículas. Além disso, a natureza pode levar o ancião a procurar poupar-se, guardando tanto quanto possível o que lhe vai escapando; pode intensificar-se nele o apego às pequenas coisas e aos objetos do seu uso – coisas que outrora ele olhava com mais indiferença porque sabia como recuperá-las caso as perdesse

Em consequência, o ancião, que pela idade é impedido de tomar parte na vida da família e na vida pública como outrora, nem por isso se torna uma pessoa inútil. Ele tem seu papel a exercer, comunicando aos mais jovens suas experiências de vida, abrindo-lhes o olhar para possíveis ilusões e percalços que sorrateiramente os ameaçam. Os jovens hão de ter interesse em procurar ouvir os mais velhos. Notemos, porém, que isso só será possível se os mais velhos se abstiverem de contar sempre as mesmas histórias, fechados num saudosismo que não é capaz de compreender o momento presente. A tendência dos anciãos a reviver o passado, dando por vezes a impressão de que o presente é simplesmente decadência, contribui para isolá-los e impedir-lhes o exercício da importante função de acompanhar os mais jovens. Ora, tal função é indispensável, como nos fala o Papa Francisco: “Em uma civilização em que não há lugar para os idosos, são descartados porque criam problemas, essa sociedade leva consigo o vírus da morte”, declarou.

Francisco mencionou ainda o fato de que o Ocidente vive o século do envelhecimento, o que constitui um desafio para a sociedade. A cultura do lucro, disse, insiste em fazer os velhos parecerem um peso e o resultado disso é que os idosos acabam sendo descartados.

Essa foi uma realidade que o Papa pôde ver de perto quando era arcebispo de Buenos Aires: idosos abandonados materialmente e também em relação às suas limitações. Idosos que vivem em casas de repouso e não são visitados pelos filhos, fato que ele qualificou como um pecado mortal. “Esses idosos deveriam ser, para toda a sociedade, a reserva de sabedoria do nosso povo. Os idosos são a reserva de sabedoria do nosso povo!”.

O cuidado com os idosos está previsto inclusive na Bíblia, lembrou o Pontífice; na tradição da Igreja sempre se apoiou uma cultura de proximidade aos idosos. “A Igreja não pode e não quer se conformar com uma mentalidade de impaciência e tão pouco de indiferença e desprezo com relação à velhice”, disse o Papa e concluiu: “Onde não há honra para os idosos, não há futuro para os jovens”.

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