Santuário Nossa Senhora do Guadalupe

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Mensagem do Reitor › 01/03/2019

POLÍTICAS PÚBLICAS: DEVER DO ESTADO, PREOCUPAÇÃO DA IGREJA?

Estado laico é aquele no qual todos têm igual direito de expressão, independentemente de seu credo religioso, desde que respeitando os princípios do bem comum e do direito dos demais.

Para que um Estado realize plenamente sua laicidade, todas as pessoas religiosas – bem como os ateus e agnósticos – devem ter igual liberdade de se expressar a partir de suas diferentes convicções.

O consenso entre as diversas posições deverá ser construído a partir do diálogo e do debate racionais sobre os conteúdos de cada posição. Um Estado no qual apenas as opiniões não religiosas podem ser expressas não é laico, mas, sim, ateu.

A doutrina social da Igreja considera que toda pessoa deve participar ativamente da vida social, cultural e política, procurando com isso seu desenvolvimento integral e a construção do bem comum (Compêndio de Doutrina Social da Igreja, nº 189-191).

Quem não participa ativamente da construção da sociedade e do bem comum, seja qual for sua religião, não desenvolve todas as suas potencialidades e não experimenta toda a riqueza que a vida lhe oferece.

Os cristãos, movidos pelo seguimento de Cristo e pelo amor ao próximo, reconhecem um compromisso ainda maior com a justiça e com a construção do bem comum e com esse espírito querem participar do debate público.

A Igreja também se vê chamada a se expressar como instituição, como acontece nos pronunciamentos do Papa e das conferências episcopais sobre diversos temas de interesse social.

Quando a Igreja se apresenta no debate público, fala não a partir de seus dogmas, mas, sim, a partir da defesa da natureza humana e da pessoa, iluminada pela experiência da fé, mas que pode ser compartilhada por todos aqueles que querem o bem comum.

A condenação do aborto, por exemplo, não é defendida em função de um dogma católico sobre a presença da alma na criança ainda não nascida, mas pelo reconhecimento de que a vida e a pessoa devem ser respeitados acima de qualquer outro valor, se queremos construir o bem comum, e porque não se pode estabelecer limites cronológicos, físicos ou sociais aos direitos da pessoa. Essa posição vem iluminada pela fé, mas é compartilhada por muitos que não têm a fé católica.

A Igreja Católica adquiriu, ao longo dos séculos, uma sabedoria que diz respeito também à forma mais adequada de administrar a sociedade, a economia e o mundo político. Essa sabedoria está contida na doutrina social da Igreja.

Com a experiência histórica, a própria Igreja foi percebendo cada vez mais a importância da separação entre poder temporal e religião. Contudo, ao mesmo tempo, também percebeu que num mundo sem Deus surgem sempre novas e mais terríveis agressões à vida e à dignidade da pessoa humana. Por isso, retoma incessantemente seu papel de educação e orientação de toda a sociedade, visando à construção do bem comum.

 

Pe. Carlos Nascimento
Reitor do Santuário Nossa Senhora de Guadalupe – Campinas, SP

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