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Artigos › 19/07/2019

O perigo das tentações

Passamos por sucessivas crises políticas ocasionadas por escândalos também sucessivos, os quais vão vindo à tona em tal quantidade que nos questiona nos obrigando a uma reflexão. Cada um faz a sua análise ou reflexão, de acordo com a realidade na qual está imerso. Como cristão reflito a partir da Sagrada Escritura. A Bíblia é livro fundamental que para nós exprime a sabedoria divina em palavras humanas.

Os Evangelhos apresentam Jesus tentado no deserto (Mt 4,1-11; Mc 1,12-13; Lc 4, 1-13). Aqui está um episódio que nos possibilita tirar boas conclusões. Estas tentações resumem os conflitos que Jesus deverá enfrentar por toda sua vida. Ele tem como missão anunciar o Reino de Deus cujo conteúdo está expresso na oração do Pai Nosso. Deus sendo pai de todos: é a fraternidade universal! O pão partilhado entre todos: o bem comum acima do egoísmo. O perdão vivido em todas as dimensões: a justiça misericordiosa de Deus governando o mundo.

Jesus vai ser tentado a falsificar sua própria missão, desviando-se do objetivo principal: o reinado de Deus. Ele será tentado a impor este objetivo de maneira corrupta, corrompendo assim sua missão, corrompendo também os destinatários dela; terminando assim por trair o Pai que o enviou. O processo da corrupção é sempre este: com belas justificativas distorcer e escamotear, trair e subjugar. Assim, a corrupção leva os corruptos a dizer mentiras em nome da verdade, cometer crimes em nome da justiça, revestir-se de humildade para dominar e subjugar.

Satanás quer que Jesus faça mágica transformando pedras em pães, porque assim o povo faminto o escutaria. O povo na política de Satanás quer bens materiais e não liberdade. Todos topam tudo por dinheiro e cada um tem seu preço diz o tentador. Mas Jesus não aceita este tipo de corrupção.

O tentador passa então a induzir Jesus, que fizesse algo extraordinário como se lançar da torre do Templo ao chão sem se machucar. Ficaria famoso. As pessoas querem se aproximar dos famosos, dos mitos, dos ídolos cujos nomes estão gravados na “calçada da fama”. Elas não querem um sentido para a vida diz o tentador, elas só querem gozar a vida. Jesus recusa.

Enfim Satanás vai ao âmago da questão: o que resolve é o poder: tudo te darei se prostrado me adorares. Adorá-lo é viver na mentira, na alienação. A busca do poder pelo poder corrompe, seca a pessoa por dentro e a torna sem coração, sem alma. Ah! Mas o poder dá muita força! Sim, é verdade, como a droga, porém, embaralha a vista. Por isso Jesus diz: o que adianta ganhar o mundo inteiro e perder a alma? Jesus recusa o poder-dominação e propõe o serviço: eu vim para servir e não para ser servido (Mt 20,28).

A política de Satanás é corromper. É multiplicar os corruptos, de preferência os mais ingênuos, os quais pensam trabalhar por uma sociedade ética através da corrupção, da mentira, esquecendo-se que política é o serviço ao bem comum.

É preciso combatê-la formando a consciência dos cidadãos, mostrando que só a verdade e o amor triunfarão. E também nunca deixar de rezar: “não nos deixe cair em tentação”.

Por Dom Pedro Cipollini – Bispo de Santo André

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